Biografia

1903 ~ 1964

 

Ary Barroso caricaturado por Nelson Capené

Caricatura por Nelson Capené

Ary Barroso

Ary Evangelista Barroso, pianista, compositor, regente, radialista, advogado e vereador. Y 7/11/1903, Ubá, MG ~ V 9/2/1964, Rio de Janeiro, RJ.

Filho do deputado estadual e promotor público Dr. João Evangelista Barroso e Angelina de Resende Barroso. Aos 8 anos, órfão de pai e mãe, Ary foi adotado por sua avó materna, Gabriela Augusta de Resende.

Fez seus estudos curriculares na Escola Pública Guido Solero, Externato Mineiro do prof. Cícero Galindo, Ginásios: São José, Rio Branco, de Viçosa, de Leopoldina e de Cataguases.

Estudou teoria, solfejo e piano com sua tia Ritinha. Com 12 anos já trabalhava como pianista auxiliar no Cinema Ideal, em Ubá.

Aos 13 anos trabalhou como caixeiro da loja “A Brasileira”.

Com 15 anos fez a sua primeira composição, um cateretê De longe.

Em 1920, com o falecimento de seu tio Sabino Barroso, ex-ministro da Fazenda, recebeu uma herança de 40 contos (milhões de reis). Então, aos 17 anos veio ao Rio de Janeiro estudar direito, ali permanecendo sob a tutela do Dr. Carlos Peixoto.

Aprovado no vestibular, cursou até o segundo ano da Faculdade Nacional de Direito. Suas economias exauriram o que o fez empregar-se como pianista no Cinema Íris, no Largo da Carioca e, mais tarde, na sala de espera do Teatro Carlos Gomes com a orquestra do maestro Sebastião Cirino. Tocou ainda em muitas outra orquestras.

Em 1926, retoma seus estudos de direito, sem deixar as atividades de pianista.

Continuou seus estudos até ser convidado a ir tocar na cidade de Poços de Caldas. Ali permaneceu 8 meses.

Em 1929, retornando ao Rio, trouxe na bagagem algumas composições, as quais vendeu, cedendo todos os direitos.

Começou então a compor para o teatro de revista estreando em Laranja da China, de Olegário Mariano e Luiz Peixoto. Compôs também para Brasil do Amor, É do Balacobaco entre tantas outras. De 1929 a 1960, musicou mais de 60 peças.

Sua primeira música gravada foi Vou à Penha, em 1929, por seu colega de faculdade, Mário Reis. Na voz do mesmo cantor conheceu seu primeiro sucesso, Vamos deixar de intimidades.

Em 1930 vence o concurso de músicas carnavalescas da Casa Edison com a marchinha Dá nela, percebendo o prêmio de 5 contos de réis. Com este dinheiro casou-se com sua noiva, Ivone Belfort Arantes. Com ela teve dois filhos, Flávio Rubens e Mariúsa.

Neste mesmo ano bacharelou-se em Direito, na turma de Mário Reis.

Em 1931 segue para Belo Horizonte e ali, seu tio, o deputado estadual Alarico (ou Inácio) Barroso, consegue-lhe uma nomeação para juiz municipal de Nova Resende, MG. Após meditar sobre o assunto, Ary recusa o cargo e retorna ao Rio para tentar carreira através da música. Começa então compor com determinação e começa a ganhar alguns trocos através da venda de suas partituras editadas pela Casa Wehrs.

Com a Orquestra de Napoleão Tavares, em 1934 Ary conheceu a Bahia.

Por essa ocasião, começa a tocar nos programas de rádio, tais como o Horas de Outro Mundo de Renato Murce e no Programa Casé, ambos na Rádio Philips do Rio de Janeiro.

Na Rádio Cosmos de São Paulo, criou seu programa Hora H. Mais tarde, na Rádio Cruzeiro do Sul, RJ, estréia seu primeiro programa  Hora do Calouro onde o anima com graça e impiedade. Nos anos 50 também foi ao ar na TV Tupi com os programas Calouros em desfile e Encontro com Ary. Seus programas revelaram nomes que fariam nome na história da MPB, tais como Dolores Duran, Elza Soares, Elizeth Cardoso, Zé Keti, entre outros.

Estreou como locutor esportivo irradiando corridas de automóveis no Circuito da Gávea. Mais tarde, transmitindo partidas de futebol, ficou famoso por anunciar os gols através o toque de uma gaitinha e por sua escandalosa parcialidade em favor do Flamengo.

Em 1944 foi para os Estados Unidos convidado a compor a trilha sonora do desenho animado Você já foi à Bahia?, de Walt Disney. Por tal feito recebeu o diploma da Academia de Ciências e Arte Cinematográfica de Hollywood.

Em 1946 candidatou-se e elegeu-se vereador do então Distrito Federal pela UDN (União Democrática Nacional). Não conseguiu repetir o feito em 1950, abandonando a política.

Lutando a favor do compositor brasileiro, Ary foi conselheiro da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), fundador da UBC (União Brasileira de Compositores) e mais tarde da SBACEM (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Editores Musicais), a qual também foi presidente.

Em 1953 organizou a Orquestra de Ritmos Brasileiro e com ela excursionou por vários países da América Latina.

Em 1961 adoece seriamente de cirrose hepática, doença esta que lhe tirou a vida em 9/2/1964, um domingo de Carnaval, dia este que, por ironia do destino, a Império Serrano desfilava na avenida apresentando o enredo Aquarela do Brasil. Em 1988 foi novamente homenageado como o tema da escola, pela União da Ilha.

Ao todo são reconhecidas cerca de 264 composições de Ary Barroso.

Ary ficou mundialmente conhecido, por ser o criador da obra-prima que é a música Aquarela do Brasil, que teve centenas de gravações em todo o mundo e foi uma das músicas brasileiras que mais produziu direitos autorais no exterior.

Principais sucessos:

  • A casta Suzana, Ary Barroso e Alcir Pires Vermelho, 1941

  • Aquarela do Brasil, Ary Barroso, 1939 Aquarela do Brasil com Francisco alves (1939)

  • Aquarela mineira, Ary Barroso, 1951

  • Boneca de piche, Ary Barroso e Luiz Iglezias, 1938

  • Brasil moreno, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1941

  • Camisa amarela, Ary Barroso, 1939

  • Casta Susana, Ary Barroso, 1939

  • Como vais você, Ary Barroso, 1936

  • Dá nela, Ary Barroso, 1930

  • É luxo só, Ary Barroso, 1959

  • Eu dei, Ary Barroso, 1937

  • Faceira, Ary Barroso, 1931

  • Foi ela, Ary Barroso, 1934

  • Folha morta, Ary Barroso, 1952

  • Grau dez, Ary Barroso e Lamartine Babo, 1934 Grau dez com Francisco Alves e Lamartine Babo (1934)

  • Inquietação, Ary Barroso, 1933

  • Isto aqui o que é?, Ary Barroso, 1941 Isto aqui o que é com Moraes Neto (1941)

  • Maria, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1932

  • Morena Boca de Ouro, Ary Barroso, 1941

  • Na Baixa do Sapateiro, Ary Barroso, 1938

  • Na batucada da vida, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1934

  • Na virada da montanha, Ary Barroso e Lamartine Babo, 1935

  • No rancho fundo, Ary Barroso e Lamartine Babo, 1931 No rancho fundo com Elisa Coelho (1931)

  • No tabuleiro da baiana, Ary Barroso, 1936

  • Os quindins de Iaiá, Ary Barroso, 1940

  • Por causa dessa caboca, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 193.....

  • Pra machucar meu coração, Ary Barroso, 1943

  • Quando eu penso na Bahia, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1937

  • Rancho das namoradas, Ary Barroso e Vinícius de Moraes

  • Rio, Ary Barroso,

  • Rio de Janeiro, Ary Barroso, 1950

  • Risque, Ary Barroso, 1952

  • Terra seca, Ary Barroso, 1943

  • Três lágrimas, Ary Barroso, 1941

  • Tu, Ary Barroso, 1933

  • Upa! Upa! (A canção do trolinho), Ary Barroso, 1940

  • Vamos deixar de intimidade, Ary Barroso, 1929


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