Biografia

1907 ~ 2006

 

Caricatura de Nélson Capené

Caricatura por Nelson Capené

João de Barro

 

Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, ou ainda João de Barro. Y Rio de Janeiro, RJ, 29/3/1907 - V idem, 24/12/2006.

Filho de Jerônimo José Ferreira Braga Neto e Carmen Beirão Ferreira Braga, João de Barro era o primogênito de 6 irmãos: Dulce, Aristides, Ilka, Abelardo, Renato e Maria Augusta.

João de Barro foi o apelido que Braguinha deu a si mesmo na época que se formou o grupo Bando dos Tangarás. Propôs também aos outros componentes que fizessem o mesmo que ele, ou seja, que se apelidassem com nome de pássaro. A idéia de Braguinha foi imediatamente rejeitada pelos outros. Braguinha, não voltando atrás, chegou mesmo até a assinar sua marchinha de 1948 O que é que há como Furnarius Rufus, nome científico do pássaro João de Barro.

Estudou no Jardim da Infância Marechal Hermes e fez o primário na Escola Joaquim Nabuco. Foi no Colégio Batista, onde cursou o ginásio, que conheceu Noel Rosa e outros componentes do Bando de Tangarás. Estudou arquitetura até o 2º ano, quando abandonou o curso.

Braguinha herdou a musicalidade de sua avó materna que cantava e tocava piano. Já o tino comercial foi herdado de seu pai, diretor da Companhia de tecidos e fiação Confiança Industrial.

Em 1929 Jerônimo Braga adoeceu e deixou a Fábrica Confiança. Foi então que Braguinha abandonou os estudos de arquitetura e começou a trabalhar como corretor imobiliário, depois como balconista na loja Mestre & Blatgé (que mais tarde se chamaria "Mesbla").

João de Barro não estudou música, apenas toca um pouco de violão que aprendeu com seu amigo Henrique Brito. Diz que prefere compor de memória, assobiando, para não limitar-se aos acordes de seu precário violão. Como Lamartine Babo, outro grande compositor, Braguinha tem sua predileção pelas marchinhas quando se trata de compor.

Em 1934 Braguinha conheceu o seu futuro maior parceiro, Alberto Ribeiro, médico homeopata que também escrevia versos e compunha melodias com estilo semelhante ao de João de Barro.

Ainda em 1934 conheceu o norte-americano Wallace Downey, produtor de filmes como Alô alô Brasil, Alô alô carnaval, João Ninguém, Banana da terra entre outros. Downey contratou João de Barro e Alberto Ribeiro para assessorá-lo na direção desses filmes, escolher o elenco, o repertório, o argumento e ainda fornecer composições para os filmes.

Em 1937 Wallace Downey convidou Braguinha para trabalhar na gravadora Columbia (futura Continental), primeiramente no setor de gravações e depois na direção artística.

Em 1938 Braguinha casou-se com Astréia Rabelo Cantolino, após dois anos de namoro e seis de noivado. Teve uma única filha: Maria Cecília.

O primeiro desenho animado de longa metragem da história do cinema foi Branca de Neve e os sete anões, de Walt Disney e teve João de Barro como um dos responsáveis pêlo enredo e dublagem do filme. Braguinha convidou Dalva de Oliveira para fazer a voz de Branca de Neve e Carlos Galhardo para a do príncipe. João de Barro também fez as letras em português das trilhas sonoras e continuou trabalhando nas versões de Disney tais como Pinóquio (1940), Dumbo (1941), Bambi (1942) etc.

Vale lembrar, como curiosidade, que o responsável pela voz do Bambi, na dublagem, era o filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, com apenas cinco anos de idade: o cantor Peri Ribeiro.

Braguinha chegou a receber de Disney um relógio de ouro com uma dedicatória especial de agradecimento.

Eram os anos 40 e João de Barro já dirigia a Continental. O interesse despertado pelos filmes de Disney levou Braguinha a criar os discos de historinhas infantis, o selo "Disquinho". O primeiro foi Branca de neve e os sete anões. Para a história Chapeuzinho vermelho João de Barro compôs letra e música da canção dos anõezinhos: Pela estrada.

Em 1945 a gravadora Todamérica foi fundada por um grupo que incluía, entre outros, Wallace Downey, Antônio Almeida, Alberto Ribeiro e Braguinha. Em 1960 a Todamérica deixou de ser gravadora para somente efetuar edições musicais. Mais tarde, com a morte de parte de seus fundadores, a Editora passou a pertencer somente a Vanisa Santiago (filha de Oswaldo Santiago), Dalva Mendes e Braguinha. Com Alberto Ribeiro, Oswaldo Santiago e Vicente Celestino, em oposição a SBAT (Sociedade de Autores Teatrais), que também controlava as composições musicais, fundou a ABCA (Associação Brasileira de Compositores e Autores). Da ABCA nasceu a sólida UBC (União Brasileira de Compositores), a qual Alberto Ribeiro presidiu por dez anos.

João de Barro foi compositor tipicamente de carnaval, apesar de ter composto músicas de vários estilos. O carnaval brasileiro deve muito a João de Barro, que, juntamente com Lalá (Lamartine Babo), foi um dos maiores responsáveis pela animação da nossa festa de Momo na época de ouro.

Principais sucessos:

  • A saudade mata a gente, João de Barro e Antônio Almeida, 1939 

  • Anda Luzia, João de Barro, 1946

  • Aqueles olhos verdes, Nilo Menendes, A. Utrera e João de Barro, 1957

  • Balancê, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1936

  • Cadê Mimi, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1935

  • Cantores do rádio, Lamartine Babo, J. de Barro e A. Ribeiro, 1936

  • Capelinha de melão, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1949

  • Carinhoso, Pixinguinha e João de Barro, 1917 Carinhoso com Orlando Silva (1937)

  • Chiquita Bacana, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1949

  • Copacabana, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1946

  • Dama das camélias, João de Barro e Alcir Pires Vermelho, 1939

  • Fim de semana em Paquetá, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1947

  • Lalá, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1935

  • Laura, João de Barro e Alcir Pires Vermelho, 1957

  • Linda borboleta, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1938

  • Linda lourinha, João de Barro, 1933

  • Luzes da ribalta, Charles Chaplin, João de Barro e A. Almeida, 1952

  • Moreninha da praia, João de Barro, 1933

  • Noites de junho, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1939

  • Onde o céu azul é mais azul, J. de Barro, A. Ribeiro e A. P. Vermelho, 1940

  • Pastorinhas, Noel Rosa e João de Barro, 1934 Pastorinhas com Sílvio Caldas (1937)

  • Pela estrada, João de Barro

  • Pirata da perna de pau, João de Barro, 1946

  • Pirolito, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1939

  • Seu Libório, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1941

  • Sorri, C. Chaplin, John Turner, Jeoffrey Parsons e João de Barro, 1936

  • Tem gato na tuba, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1948

  • Touradas em Madri, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1937  Touradas em Madri com Almirante (1937)

  • Uma andorinha não faz verão, João de Barro e Lamartine Babo, 1931

  • Vai com jeito, João de Barro, 1956

  • Valsa da despedida, Robert Burns, João de Barro e A. Ribeiro, 1798

  • Yes! Nos temos bananas, João de Barro e Alberto Ribeiro, 1937

 


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