Biografia

Sílvio Caldas em 1937

1908 ~ 1998

 

Caricatura de Sílvio Caldas por Nélson Capené

Caricatura por Nelson Capená

 

 

Sílvio Caldas

Sílvio Narciso de Figueiredo Caldas, cantor, compositor, violonista e ator. Y 23/5/1908, Rio de Janeiro, RJ - V 3/2/1998, Atibaia, SP.

Filho da gaúcha Alcina Figueiredo Caldas e de Antônio Caldas, afinador, vendedor de pianos e compositor. O casal teve outro filho, o também compositor, Murilo Caldas.

Sílvio apareceu cantando em público pela primeira vez aos 6 anos nos saraus da Casa dos Bigodinhos e encarapitado nos ombros adultos no Família Ideal, bloco que saía pelas ruas de seu bairro, São Cristóvão.

Iniciou sua vida profissional aos 9 anos como aprendiz de mecânico. Também foi lavador de carros, chofer de táxi, de caminhão e particular, estivador, garimpeiro, e teve como "hobby" a pescaria e a culinária. Em 1924 mudou-se para São Paulo ainda trabalhando em oficinas mecânicas até 1927, quando retornou ao Rio.

Por esta ocasião, através do cantor de tangos Antônio Gomes, o "Milonguita", apresentou-se pela primeira vez na rádio Mayrink Veiga. Daí pra frente, cantou praticamente em todas as rádios do Rio de Janeiro.

Em 1929 compôs a sua primeira música, Mas...por que mulher?, em parceria com Quincas Freitas.

Seu primeiro registro em disco, de forma ainda amadora foi na Brunswik com o samba Quando o Príncipe chegar, em homenagem ao Príncipe de Gales, Duque de Windsor, em visita ao Brasil. Seu primeiro disco comercial deu-se em 1930 na Victor, com Amoroso, samba de sua autoria. Em 1931 participou da revista musical da Companhia Margarida Max, Brasil do amor cantando Faceira, de Ary Barroso, seu primeiro grande sucesso, onde na noite de 14 de maio de 1931 teve de bisá-la 8 vezes.

Como ator, trabalhou em várias peças como: Ri de palhaço, de Marques Porto e Paulo Orlando. Fez ainda parte do elenco nos filmes Favela dos meus amores, de 1935 (onde foi o Zé Carioca), Carioca Maravilhosa, de 1935 produzido Sebastião Santos e Luz dos meus olhos, de 1947 dirigido por José Carlos Burle.

Os apelidos que ganhou em sua trajetória artística foram "Rouxinol da Família Ideal", "O Cantor que Valoriza as Palavras", "Silvinho", "Poeta da Voz", "Seresteiro", "Caboclinho Querido", dado por César Ladeira, "A Voz Morena da Cidade", dado por Cristóvão de Alencar, ou simplesmente "Titio".

Com versos de Sebastião Fonseca de 1937, Sílvio lançou em 1951 a sua Violões em funeral, em homenagem a Noel Rosa. Em 1952 lançou pela Sinter a canção Silêncio do cantor, de Joubert de Carvalho e David Nasser, em homenagem a Francisco Alves, que em setembro daquele ano falecera, vítima de um trágico acidente automobilístico.

A partir de 1954 passou a gravar pela Columbia (mais tarde CBS e hoje Sony Music), recém-inaugurada em São Paulo. Em 1956 apresentou o programa Os Degraus da Glória, na Rádio Gazeta paulistana. Ainda na capital paulista, na TV Record, apresentou um programa semanal exclusivamente seu.

Com o surgimento da bossa-nova e a evolução dos estúdios de gravação, os vozeirões como o de Sílvio Caldas perderam espaço na mídia.

Nosso "Titio" casou-se duas vezes, tendo uma filha, Silvinha, com a primeira mulher, e Silvio Caldas Filho, com a segunda.

Em 1965 mudou-se para um sítio em Atibaia, interior de São Paulo, a 65 Km da capital, onde viveu até seu último dia. Nesta cidade ocupou-se como agricultor.

Lançou um LP singular, com canções compostas por Lauro Miller, todas dedicadas à cidade de São Paulo e seus principais bairros. São conhecidas pelo menos duas edições desse disco, uma da RGE sem data e outra de 1968, pela Premier.

Parou de gravar no final da década de 70, mas sempre foi convidado a apresentar-se em espetáculos, adiando assim a sua despedida dos palcos. Em 1995, com 87 anos, Sílvio Caldas se apresentou em São Paulo no Sesc Pompéia, ao lado de Doris Monteiro, Miltinho, Noite Ilustrada e o Trovadores Urbanos, relembrando grandes sucessos da Música Popular Brasileira que, por sinal, ajudou a imortalizar.

Com sua voz aveludada e de grande extensão, utilizou-se de sua interpretação para se destacar de seus contemporâneos, tais como Francisco Alves e Carlos Galhardo e até mesmo Orlando Silva. Sílvio também teve outro destaque sobre os outros pois foi o único que realmente compunha.

Dono de uma saúde extraordinária, Sílvio Caldas foi o cantor de mais longa atividade na MPB. Infelizmente, no seu último ano da vida, o cantor sofreu crises de depressão e anorexia, falecendo por insuficiência cardiorrespiratória.

 

Principais sucessos lançados por Silvio Caldas:

  • A deusa da minha rua, Newton Teixeira e Jorge Faraj, 1939

  • Arranha-céu, Orestes Barbosa e Sílvio Caldas, 1937

  • Arrependimento, Cristóvão de Alencar e Sílvio Caldas, 1935

  • Chão de estrelas, Orestes Barbosa e Sílvio Caldas, 1937

  • Como os rios que correm pro mar, Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1944

  • Da cor do pecado, Bororó, 1939

  • Faceira, Ary Barroso, 1931

  • Florisbela, Nássara e Frazão, 1938

  • Linda lourinha, João de Barro, 1933 Linda lourinha com Sílvio Caldas (1933)

  • Maria, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1932

  • Meus vinte anos, Wilson Batista e Sílvio Caldas, 1943

  • Minha casa, Joubert de Carvalho, 1946

  • Minha palhoça, J. Cascata, 1935

  • Morena boca de ouro, Ary Barroso, 1943

  • Mulher, Custódio Mesquita e Sady Cabral, 1940

  • Pastorinhas, Noel Rosa e João de Barro, 1934

  • Perfil de São Paulo, Bezerra de Menezes, 1954

  • Pierrô, Joubert de Carvalho e Pascoal Carlos Magno, 1931

  • Poema dos olhos da amada, Paulo Soledade e Vinícius de Moraes, 1953

  • Promessa, Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1943

  • Quase que eu disse, Sílvio Caldas e Orestes Barbosa, 1935

  • Saudade dela, Ataulfo Alves, 1936

  • Três lágrimas, Ary Barroso, 1941

  • Velho realejo, Custódio Mesquita e Sady Cabral, 1940

  • Viva meu samba, Billy Blanco, 1957


voltar