Biografia

1921 ~ 1999

Zé Keti

 

José Flores de Jesus, cantor e compositor, nasceu no Rio de Janeiro, RJ em 16/09/1921, sendo registrado apenas em 06/10/1921. Morreu na mesma cidade em 14/11/1999.

Considerado um dos maiores nomes da música brasileira, ficou conhecido por popularizar o samba do morro na alta sociedade e intelectualidade da Zona Sul carioca.

Neto de um flautista e pianista, filho de um marinheiro sergipano tocador de cavaquinho, desde cedo se interessou pela música.

Seu pai morreu quando ele ainda era pequeno. Foi então que, junto com a mãe, mudou-se para casa do avô, em Bangu.

Seu avô era muito festeiro e gostava de reunir os amigos músicos, entre eles Pixinguinha e Cândido das Neves. Sua mãe gostava de dançar e quando não tinha baile em casa ia ao clube de danças das operárias da fábrica de Bangu.

Nesse ambiente musical, Zequinha começa a moldar seu talento, sempre espiando tudo muito quieto. Daí o apelido Zé Quietinho, que virou Zéqueti e mais tarde, com os nomes com K em voga, assumido definitivamente Zé Keti.

Entre 1926 e 1928 com a morte do avô, a família muda-se para Dona Clara (bairro carioca) e em seguida para Bento Ribeiro.

Quando estava no início do ginásio, fugiu da escola e foi tentar a vida, sozinho. Trabalhou em uma fábrica de calçados, em uma pedreira, em uma gráfica e também vendeu laranjas nos campos de futebol.

Nessa época Zé já andava espiando o samba em Osvaldo Cruz, apesar de sua família achar que ser um compositor era quase como ser delinquente. Numa dessas espiadelas foi parar na Mangueira. Foi levado por Geraldo Cunha, parceiro de Carlos Cachaça, para assistir os ensaios da escola. Na Mangueira presenciou uma briga que o fez optar por outra escola de samba, a Portela. Chegou lá pelas mãos do compositor Armando Santos.

Começou a compor, sem mostrar suas músicas a ninguém. Só começou mostrar quando tinha 18 anos, nas rodas boêmias do Café Nice, local que começou a freqüentar em 1939, por intermédio compositor Luiz Soberano.

Em 1940 ingressa na Polícia Militar, onde serve até 1943, afastando-se do meio musical. Neste período compõe a sua primeira marcha carnavalesca Se o feio doesse.

Retorna à música e em 1945 e integra o grupo de compositores da Portela.

Sua estréia em discos se dá com o samba Vivo bem, gravado para o carnaval de 1946 por Ciro Monteiro. No mesmo ano é gravado Tio Sam no samba, em parceria de Felisberto Martins, na interpretação dos Vocalistas Tropicais.

Seus primeiros sucessos foram os sambas Amor passageiro gravado por Linda Batista e Leviana gravado por Jamelão.

Afastou-se da Portela por volta 1954, por acusações que punham em dúvida a autoria de suas músicas. Transferiu-se então para a escola de samba União do Vaz Lobo. Por esta ocasião compõe o samba A voz do morro, que é gravado por Jorge Goulart e incluído na trilha sonora do filme Rio 40 graus de Nelson Pereira dos Santos.

Em 1957 o mesmo cineasta, Nelson Pereira dos Santos, lança o filme Rio Zona Norte, baseado na vida do compositor. Surgia assim o cinema novo, que se propunha a realizar filmes com pequenos orçamentos, enraizados na cultura brasileira, para discutir as questões sociais emergentes da época.

No ano seguinte, Roberto Santos, realiza o filme O grande momento em que Zé Keti comparece na trilha sonora com Flor do lodo. Inclui sambas em vários outros filmes tais como: O boca de ouro, A falecida, A grande cidade, entre outros.

Retornou à Portela em 1960.

Começa também a participar das atividades musicais do restaurante Zicartola, que tinha Dona Zica na cozinha fazendo comidas baianas. Era o relações públicas e apresentava os velhos compositores como Cartola, Nelson Cavaquinho e outros. Também foi o responsável pelas apresentações de Elton Medeiros e Paulo César, este, um compositor até então desconhecido que Zé Kéti apelidou de Paulinho da Viola. Foi lá também que faz um pacto com Carlos Lyra: você me leva ao morro e às escolas e eu te levo à turma da bossa nova. Essa aproximação, em termos musicais, não rendeu muitos frutos.

Empreendedor, neste mesmo ano de 1960, torna-se sócio de Luiz Paulo Nogueira, filho do senador udenista Hamilton Nogueira, de uma barraca de peixe na Praça Quinze.

Em 1962, forma o grupo musical Voz do Morro, composto por Elton Medeiros, Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Anescar do Salgueiro, Jair do Cavaquinho, Zé Cruz e Oscar Bigode. O grupo gravou Roda de Samba e mais dois discos.

Em 1964 participa do show Opinião, no Rio. O espetáculo, escrito por Oduvaldo Vianna Filho, Armando Costa e Paulo Pontes, tinha no elenco Zé Keti, o favelado, o compositor João do Valle, o migrante nordestino e a cantora Nara Leão, a menina da Zona Sul (que foi substituída por Suzana Moraes e depois Maria Bethânia). O show era uma mistura de teatro e música, colocava os cariocas na vanguarda de um movimento cultural, de resistência, dos intelectuais refletindo sobre os problemas do povo. Na montagem, Zé Kéti lança os sambas Opinião, Diz que fui por aí e Acender as velas.

Para o carnaval de 1967, compôs a marcha-rancho Máscara negra, com Hildebrando Pereira Matos. Por a autoria da primeira parte ter sido atribuída ao irmão Hildebrando, Deusdedith Pereira Matos, Zé Keti é alvo de sérias acusações. A viúva de Deusdedith move uma ação contra ele e é obrigado até depor em uma CPI do Direito Autoral no Congresso Nacional. Apenas em 1969 saiu a decisão que reconhecia a autoria de Zé Keti, exatamente pelo estilo das canções anteriores e posteriores. Máscara negra foi um dos maiores êxitos de sua carreira.

Em 12 de fevereiro de 1968 é eleito “Cidadão do Samba” e compôs a seguinte letra: “Ser cidadão do samba do maior carnaval do mundo já é um privilégio...”.

Nos anos 70, inicia um novo empreendimento com o serviço de transporte marítimo São Gonçalo-Paquetá.

Tenta reeditar, sem sucesso, o Zicartola, abrindo a casa Comidinhas do Samba.

Na década de 1980 morou em São Paulo, e fica mais envolvido com seus empreendimentos comerciais, tentando reconstruir sua carreira. Tem seu primeiro derrame cerebral, no início de julho de 1987.

Em 1990 retorna ao Rio de Janeiro e participa da nova montagem do show Opinião.

Em 1994 recebe a medalha “Pedro Ernesto”, juntamente com vários intelectuais de esquerda, nas comemorações pelos 30 anos do Teatro Opinião.

Em 1996, é lançado o CD Zé Keti 75 anos de samba, produzido por Henrique Cazes e com as participações especiais de Zeca Pagodinho, Monarco, Wilson Moreira e Cristina Buarque, cantando velhos sucessos e algumas músicas inéditas. No mesmo ano o cantor Zé Renato lança o CD Natural do Rio de Janeiro, exclusivamente dedicado à obra zeketiana.

Em 1997, ao completar 60 anos de carreira, foi homenageado com o show Na casa do Noca. Recebe da Portela um troféu em reconhecimento ao seu trabalho.

No ano seguinte ganha o Prêmio Shell de Música, dado a compositores que tenham contribuído significativamente para a MPB.

Entre os sambistas, ficou famosa a história da prótese que teria implantado para manter a virilidade.

Com as mortes de sua ex-esposa, com quem mantinha relações cordiais, e do grande amigo Carlos Cachaça, entra em profunda depressão. Morre vítima de falência múltipla de órgãos, no Hospital da Venerável Ordem Terceira da Penitência, no dia 14 de novembro de 1999.

Cerca de 150 pessoas compareceram ao velório do compositor no cemitério de Inhaúma. Durante o velório, o caixão foi coberto com a bandeira azul e branca de sua escola de samba, a Portela. Foi enterrado ao som de A voz do morro.

kk

Principais sucessos:

  • A voz do morro, Zé Keti (1955)

  • Acender as velas,  Zé Keti (1964)

  • Diz que fui por aí, Zé Keti e Hortêncio Rocha (1964)

  • Leviana, Zé Kéti e Amado Regis (1954)

  • Madrugada, Zé Kéti (1967)

  • Malvadeza Durão, Zé Keti (1959)

  • Máscara negra, Zé Keti e Pereira Matos (1966) Máscara negra com Dalva de Oliveira (1966)

  • Mascarada, Zé Keti (1964)

  • Nêga Dina, Zé Keti (1965)

  • O meu pecado, Zé Keti (1965)

  • Opinião, Zé Keti (1964)

 


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