Cronologia
1919
Ernest Rutherford consegue, pela primeira vez no mundo, desintegrar artificialmente um átomo.
É inaugurada a primeira linha aérea comercial, na Alemanha (Berlim – Leipzig – Weimar).
Surge O gato Felix, criado pelo cartunista australiano Pat Sullivan e animado por Otto Mesmer.
Em Hollywood, Charles Chaplin, David Wark Griffith, Douglas Fairbanks e Mary Pickford fundam o estúdio cinematográfico “United Artists Corporation”.
Presidente: Epitácio Pessoa (de 1919 ~ 1922) toma posse em 28 de julho.
A Ford Motor Company é autorizada a montar automóveis no Brasil, em São Paulo, na Rua Florêncio de Abreu. Apenas doze operários montam o Ford Bigode com peças importadas.
É fundada a Federação das Bandeirantes do Brasil, visando formar as jovens do Brasil segundo o método de Baden-Powell.
Começa a circular no Rio O Jornal (até 1974).
Manuel Bandeira publica Carnaval.
Cecília Meireles estréia com seu livro de sonetos, Espectros.
Monteiro Lobato publica Cidades Mortas, que trata do abandono do povo das localidades rurais pela decadência do café.
É publicada a revista Para Todos (até 1932), ilustrada pelo caricaturista J. Carlos (Rio de Janeiro, 1884 - id., 1950).
O Brasil conquista seu primeiro título internacional, o Campeonato Sul-Americano de Futebol, vencendo o Uruguai com um gol do paulista Friedenreich na prorrogação. Este gol deu origem a uma composição de Pixinguinha initulada Um a zero.
Surge o Bloco do Eu Sozinho. Seus componentes? Júlio Silva carregando uma tabuleta com os dizeres “Bloco do Eu Sozinho”. Em 1958 Eneida disserta em seu livro 1: “o que hoje intitulamos blocos são os improvisados, mascarados muitas vezes maltrapilhos, sem sede nem enredo, sem dinheiro nem glória, mas carnavalescos a valer, reunindo-se ao acaso. Não há mais os soberbos blocos do passado. Apenas o ‘Eu Sozinho’ continua saindo, quer chova ou faça sol.”
1. ENEIDA. História do Carnaval Carioca. Rio de Janeiro, Record, 1987, p. 123.
No Rio, no Teatro Lírico, foi realizado o primeiro concurso de músicas carnavalescas.
Deixe deste costume, samba de Sinhô, gravado na Casa Edison por Eduardo das Neves:
Eu hei de acabar
Com esse costume
Que você tem
Falando de mim
Dizendo horrores
Me querendo bem
Ai, o amor
É um capitoso vinho
Que nos embriaga
Que nos embriaga
Com um só pinguinho
Você há de saber
Que esse costume
Não fica bem
Porque toda gente
Sabe a paixão
Que você me tem
Ai como é bom
Viver aconchegadinho
Gozando a vida
Gozando a vida
Com mais carinho
Só por amizade, samba de Sinhô, gravado na Casa Edison por Eduardo das Neves:
Tens vontade de sambar
Não precisas te esconder
Pois só por amizade, ó meu bem
É que podes aprender
Eu bem jurava
Eu bem falava
Eu bem dizia
Que este samba te atraia
Para folia
Por favor sejas leal
Confessa a tua verdade
Tens vontade de sambar, ó meu bem
Mas só por amizade
Oh! Minha gente, ora meu Deus
Não deixo mais
Estes carinhos por amizade
Que bem me faz
Tens vontade de sambar...
Eu bem jurava
A rolinha do sertão (Assim que é), samba de Mirandella e J. Rezende, gravado na Casa Edison por Bahiano:
Eu quisera ser a rola (Pois é)
A rolinha do sertão (Pois é)
Para fazer o meu ninho (Pois é)
Na palma de sua mão (Assim que é)
Não precisa ser a rola (Pois é)
A rolinha do sertão (Pois é)
Que o teu ninho já está feito (Pois é)
Dentro do meu coração (Assim que é)
O fogo nasce da lenha (Pois é)
A lenha nasce do chão (Pois é)
Bem querer nasce dos olhos (Pois é)
O amor do coração (Assim que é)
Sexta-feira faz um ano (Pois é)
Que meu coração fechou (Pois é)
Quem morava dentro dele (Pois é)
Tirou a chave e levou (Assim que é)
Eu vi a garça voando (Pois é)
Lá pra banda do sertão (Pois é)
Levava a Maria no bico (Pois é)
E Teresa no coração (Assim que é)
Um anjo me disse agora (Pois é)
Eu amedrontado ouvi (Pois é)
Que no céu Nossa Senhora (Pois é)
Tinha ciúmes de ti (Assim que é)
Já te digo, samba de Pixinguinha e China, gravado na casa Edison por Bahiano:
Um sou eu
E o outro eu sei quem é
Ele sofreu
Para usar colarinho em pé
Vocês não sabem que é ele?
Pois eu vos digo
Ele é um cabra muito feio
E fala sem receio
E sem medo de perigo
Um sou eu...
Ele é alto, magro e feio
E desdentado
Ele fala do mundo inteiro
Ele já está avacalhado
Cá do Rio de Janeiro
Um sou eu...
No tempo que tocava flauta
Que desespero
Hoje ele anda janota
A custas dos trouxas
Cá do Rio de Janeiro
Um sou eu...
Nesta bela brincadeira
Ninguém se meta
Que este samba com certeza
Desta bela pagodeira
É de certo dos Baetas
Confessa, meu bem, samba de Sinhô (J. B. da Silva), gravado na Casa Edison por Eduardo das Neves:
Confessa, confessa meu bem
Confessa, confessa meu bem
Fala, fala, fala meu bem
Que eu não digo nada a ninguém
Fala, fala, fala meu bem
Que eu não digo nada a ninguém
Língua malvada e ferina
Falar de nós é tua sina
Vou-me embora, vou-me embora
Desse meio de tolice
Estou cansado de viver
De tanto disse-me disse
Oh! Que gente danada
Não confesso nada
Você me acaba, samba de Mirandella, China e Donga, gravado na Casa Edison por Bahiano:
Mulatinha faceira
Sem coração
Não judia comigo
Tem dó, tem compaixão
Vem pra roda mulata
Deixa de arreliá
Sapateia do meu lado
Faça esta gente sambá
Me chamou de tolo
Oi, me deu pancada
Não faça assim mulatinha
Você me acaba
Quando tu tá sambando
Juntinho a mim
Fico doido varrido
Ai! Meu Sinhô do Bonfim
Se eu pudesse contigo
Nessa vida acabá
Eu cantava a noite inteira
Pra você não me deixá
Me chamou de tolo...
O Kaiser em fuga, tango-carnavalesco (que é um maxixe) de Caninha. Trata-se da celebração civico-momesca da derrota de Guilherme II e fim da 1ª guerra:
Ai, ai, ai,
A guerra já terminou
Com a direção de Foch
Até o fogo cessou
Ai, ai, ai
Que grande satisfação
Do Kaiser ter disparado
E abandonado a Nação
Monsieur, que dê ele?
O Kaiser já fugiu
Já sumiu-se pra bem longe
Que o inimigo não viu
Viva, viva
Sempre os nossos aliados
Que venceram essa guerra
E prenderam os culpados
Seu Derfim tem que vortá, cateretê (maxixe) de Eduardo Souto e Norberto Bittencourt (K. K. Reco):
Nhô Derfim tem que vortá
Por vontade ou sem querê
Porque aqui na Capitá
Não tem mais nada a fazê
Nhô Derfim boa viage
Escreva sempre pra cá
Bem pensado é bobage
Sê mandante sem mandá
O trem apita
Chegou a hora
Cabou a fita
Pode i s'imbora
Porém na Centrá
O nosso homenzinho
Ficou pra enbarcá
Molinho, molinho...
Não brabeja nhô Derfim
Qu'isto tudo é bem querê
E range um quarto pra mim
Passá um mêis com mecê!
Que grande celebridade
Mecê veio aqui cavá
Pois mostrô sê na verdade
Bom guardadô de lugá
Veja que cateretê
E que trovas divertida
Nós fizemos pra mecê
No momento de partida
Eu vou ainda fundá
Quando achá quem abone
Um grupo que vou chamá
"Os amigo do trombone"
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