Cronologia

1919


Assuntos internacionais

Brasil

Carnaval

1. ENEIDA. História do Carnaval Carioca. Rio de Janeiro, Record, 1987, p. 123.

Deixe deste costume com Eduardo das Neves (1919)

Eu hei de acabar

Com esse costume

Que você tem

Falando de mim

Dizendo horrores

Me querendo bem

 

Ai, o amor

É um capitoso vinho

Que nos embriaga

Que nos embriaga

Com um só pinguinho

 

Você há de saber

Que esse costume

Não fica bem

Porque toda gente

Sabe a paixão

Que você me tem

 

Ai como é bom

Viver aconchegadinho

Gozando a vida

Gozando a vida

Com mais carinho

 

Só por amizade com Eduardo das Neves (1919)

Tens vontade de sambar

Não precisas te esconder

Pois só por amizade, ó meu bem

É que podes aprender

 

Eu bem jurava

Eu bem falava

Eu bem dizia

Que este samba te atraia

Para folia

 

Por favor sejas leal

Confessa a tua verdade

Tens vontade de sambar, ó meu bem

Mas só por amizade

 

Oh! Minha gente, ora meu Deus

Não deixo mais

Estes carinhos por amizade

Que bem me faz

 

Tens vontade de sambar...

 

Eu bem jurava

 

A rolinha do sertão com Bahiano (1919)

Eu quisera ser a rola (Pois é)

A rolinha do sertão (Pois é)

Para fazer o meu ninho (Pois é)

Na palma de sua mão (Assim que é)

 

Não precisa ser a rola (Pois é)

A rolinha do sertão (Pois é)

Que o teu ninho já está feito (Pois é)

Dentro do meu coração (Assim que é)

 

O fogo nasce da lenha (Pois é)

A lenha nasce do chão (Pois é)

Bem querer nasce dos olhos (Pois é)

O amor do coração  (Assim que é)

 

Sexta-feira faz um ano (Pois é)

Que meu coração fechou (Pois é)

Quem morava dentro dele (Pois é)

Tirou a chave e levou (Assim que é)

 

Eu vi a garça voando (Pois é)

Lá pra banda do sertão (Pois é)

Levava a Maria no bico (Pois é)

E Teresa no coração (Assim que é)

 

Um anjo me disse agora (Pois é)

Eu amedrontado ouvi (Pois é)

Que no céu Nossa Senhora (Pois é)

Tinha ciúmes de ti  (Assim que é)

 

Já te digo com Bahiano 1919

Um sou eu

E o outro eu sei quem é

Ele sofreu

Para usar colarinho em pé

 

Vocês não sabem que é ele?

Pois eu vos digo

Ele é um cabra muito feio

E fala sem receio

E sem medo de perigo

 

Um sou eu...

 

Ele é alto, magro e feio

E desdentado

Ele fala do mundo inteiro

Ele já está avacalhado

Cá do Rio de Janeiro

 

Um sou eu...

 

No tempo que tocava flauta

Que desespero

Hoje ele anda janota

A custas dos trouxas

Cá do Rio de Janeiro

 

Um sou eu...

 

Nesta bela brincadeira

Ninguém se meta

Que este samba com certeza

Desta bela pagodeira

É de certo dos Baetas

 

Confessa meu bem com Eduardo das Neves (1919)

 Confessa, confessa meu bem

Confessa, confessa meu bem

 

Fala, fala, fala meu bem

Que eu não digo nada a ninguém

Fala, fala, fala meu bem

Que eu não digo nada a ninguém

 

Língua malvada e ferina

Falar de nós é tua sina

 

Vou-me embora, vou-me embora

Desse meio de tolice

Estou cansado de viver

De tanto disse-me disse

 

Oh! Que gente danada

Não confesso nada

 

Você me acaba com Bahiano (1919)

Mulatinha faceira

Sem coração

Não judia comigo

Tem dó, tem compaixão

 

Vem pra roda mulata

Deixa de arreliá

Sapateia do meu lado

Faça esta gente sambá

 

Me chamou de tolo

Oi, me deu pancada

Não faça assim mulatinha

Você me acaba

 

Quando tu tá sambando

Juntinho a mim

Fico doido varrido

Ai! Meu Sinhô do Bonfim

 

Se eu pudesse contigo

Nessa vida acabá

Eu cantava a noite inteira

Pra você não me deixá

 

Me chamou de tolo...

 

Ai, ai, ai,

A guerra já terminou

Com a direção de Foch

Até o fogo cessou

 

Ai, ai, ai

Que grande satisfação

Do Kaiser ter disparado

E abandonado a Nação

 

Monsieur, que dê ele?

O Kaiser já fugiu

Já sumiu-se pra bem longe

Que o inimigo não viu

 

Viva, viva

Sempre os nossos aliados

Que venceram essa guerra

E prenderam os culpados

 

Nhô Derfim tem que vortá

Por vontade ou sem querê

Porque aqui na Capitá

Não tem mais nada a fazê

Nhô Derfim boa viage

Escreva sempre pra cá

Bem pensado é bobage

Sê mandante sem mandá

 

O trem apita

Chegou a hora

Cabou a fita

Pode i s'imbora

Porém na Centrá

O nosso homenzinho

Ficou pra enbarcá

Molinho, molinho...

 

Não brabeja nhô Derfim

Qu'isto tudo é bem querê

E range um quarto pra mim

Passá um mêis com mecê!

Que grande celebridade

Mecê veio aqui cavá

Pois mostrô sê na verdade

Bom guardadô de lugá

 

Veja que cateretê

E que trovas divertida

Nós fizemos pra mecê

No momento de partida

Eu vou ainda fundá

Quando achá quem abone

Um grupo que vou chamá

"Os amigo do trombone"

 

 


Voltar

ano anterior, 1919, ano seguinte