Mamãe eu quero

 

Marchinha de Vicente Paiva e Jararaca (Carnaval de 1937) 

Mamãe eu quero com Jararaca (1936)

- Mamãe eu quero!

- Qué o que, meu filho?

- Mamãe eu quero ir pra Avenida!

- Pra que, meu filho?

- Esse ano eu quero entrar nos cordões!

- Você vai entrar é na lenha, ouviu?

- Ih! Mamãe está "semi-com-flauta"! Mamãe eu quero!

 

Mamãe eu quero, mamãe eu quero

Mamãe eu quero mamá

Dá a chupeta, dá a chupeta

Dá a chupeta pro bebê não chorá

Mamãe, mamãe, mamãe eu quero

 

Dorme filhinho do meu coração

Pega a mamadeira

E vem entrá pro meu cordão

Eu tenho uma irmã que se chama Ana

De piscá o olho já ficou sem a pestana

 

Olho as pequenas mas daquele jeito

Tenho muita pena

Não ser criança de peito

Eu tenho uma irmã que é fenomenal

Ela é da bossa e o marido é um boçal

 

    Gravada originalmente na Odeon em 1936, por Jararaca e lançada em 78 rpm. Almirante, admirador e amigo de Jararaca, foi quem fez o papel da "mãe" no diálogo inicial, criado com a única finalidade de aumentar o tempo da gravação.

    Outras gravações conhecidas são as de Carmen Miranda (1939), Almirante (no rádio, 1946), Blecaute, A Banda do Pixinguinha (1967), Lyra de Xopotó, Marlene com Blecaute & Nuno Roland (1968), Wilson Simonal (1969), Altamiro Carrilho e Sua Bandinha, Coro popular de Samuel Rosemberg, Sílvio Caldas (1973), Banda do Canecão (1973), Banda de Ipanema (1977), Banda do Touguinha (1977), Gilberto Gil (1978), As Melindrosas (1978), Grupo dos Foliões (1978), A Patotinha (1978), Os Disconautas (1978), Samba Livre (1978), Os Versáteis, Rebels, A Grande Banda do Chopp (1979), Flabanda (1980), Banda Carnavalesca Cidade Maravilhosa (1981), Bloco Pierrôs & Colombinas (1981), Astrud Gilberto (1982), Banda Carioca, A Banda da Alegria (1983), Beth Carvalho (1984), Côro Oba Oba (1986), Tião Macalé (1989), Banda Rio-Copa (1991), Comando Geral, Banda da Galera, Banda Gol (1998), entre outras.

    Desacreditada no início pelos próprios autores, Mamãe eu quero apresentou não apenas um grande êxito de crítica e de público, como também um dos primeiros sucessos da música brasileira em terras americanas. Foi levada para os EUA em 1939, pelos integrantes de uma orquestra americana que se apresentara em 1937 no Cassino da Urca. Mais tarde foi incluída no repertório de Carmen Miranda, por exigência do próprio público de lá.

    Mamãe eu quero surgiu numa época em que a marchinha se firmava definitivamente como um dos gêneros carnavalescos por excelência. O tom irônico, humorístico e malicioso agradou em cheio aos nossos foliões.

    A composição foi criada faltando apenas alguns meses para o início do carnaval de 37. Jararaca mostrou-a ao amigo Vicente Paiva, na época o diretor artístico da Odeon. A gravadora não queria que Jararaca a lançasse, alegando que ele, não sendo cantor, poderia comprometer a sua própria imagem de humorista. Para intérprete foi então escolhido Luís Barbosa, que acabou recusando, por não se tratar de uma música que lhe agradasse. Devido à pressa, a única alternativa era mesmo a interpretação de Jararaca. E foi o que aconteceu. Vicente Paiva assumiu os riscos pela gravação, que foi realizada sem ensaios prévios ou maiores requintes.

    Jararaca chegou a declarar que a música foi inspirada nele mesmo, pois era um menino muito "mamão".

    Mamãe eu quero serviu até para campanha eleitoral. Candidatando-se a uma vaga na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo PCB, Jararaca compôs uma segunda versão para a música, que, segundo o jornal A Manhã, de 19 de dezembro de 1946, foi cantada a exaustão durante um comício do PCB na praia do Russel.

 

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