Ó abre alas

 

Marchinha de Chiquinha Gonzaga (Carnaval de 1900)

 

Ó abre alas com Linda e Dircinha Batista (1971)

Clique no play e aguarde o carregamento

 

Ó abre alas
Que eu quero passar
Ó abre alas
Que eu quero passar
Eu sou da Lira
Não posso negar
Eu sou da Lira
Não posso negar

Ó abre alas
Que eu quero passar
Ó abre alas
Que eu quero passar
Rosa de Ouro
É que vai ganhar
Rosa de Ouro
É que vai ganhar

    Gravada originalmente na RCA Victor em 1971, por Linda e Dircinha Batista e lançada em LP. 

    Obs.: Essa gravação pode ser considerada a primeira, pois até então a música era conhecida apenas por retalhos e enxertos em outros discos.

    Outras gravações conhecidas são as de Eduardo das Neves, Mário Pinheiro e Nozinho (enxerto, 1905), Banda da Casa Edison sob Santos Bocot (dobrado, 1911), Marlene / Blecaute / Nuno Roland (1968), Banda do Canecão (1973), Samba Livre (1979), Beth Carvalho (1984), Marília Pêra (1990), Bando da Rua (1995), Banda Gol (1998), entre outras.

    Composta em 1899, Ó abre alas é a primeira marcha registrada na História do Carnaval Brasileiro, inaugurando um gênero que seria retomado apenas 20 anos mais tarde, influenciado pelo ragtime e pelas big-bands emergentes na época. Segundo Tinhorão, “foram os ranchos que ao adotarem a formação das procissões religiosas, instituíram um mínimo de disciplina em meio ao caos do carnaval, sugerindo desde logo à maestrina Chiquinha Gonzaga, em 1899, motivo para a marcha ‘Ó abre alas’, declaradamente inspirada na cadência que os negros imprimiam à passeata, enquanto desfilavam cantando suas músicas ‘bárbaras’.”1

    Mariza Lira em seu livro Chiquinha Gonzaga2, chega a afirmar que a composição da competente maestrina havia sido feita a pedido de alguns componentes do cordão Rosa de Ouro, afirmação de certa forma contestada pelo crítico e jornalista Jota Efegê. Segundo ele, “o Rosa de Ouro teria apenas sugerido a Chiquinha o famoso ‘Abre alas’”3. Aliás, a própria expressão “Eu sou da Lira”– que significa pertencer à boemia, à farra e à cantoria – permite inferir que muitos cordões poderiam entoá-la, e não apenas o cordão Rosa de Ouro, como se divulga comumente: “Assim (...) ainda hoje, o cordão Rosa de Ouro desfruta uma honraria não merecida e não positivada de um modo cabal: a de que a marchinha “Ó abre alas” foi feita especialmente para ele pela consagrada Chiquinha Gonzaga.”4

1. TINHORÃO, José Ramos - “Pequena história da música popular- Da modinha à lambada”. Art Editora Ltda. 1991 p. 119.
2. Informações obtidas a partir do livro “A pioneira Chiquinha Gonzaga”, de Geysa Bôscoli (Departamento Estadual de Imprensa), p. 68, citando o artigo de Jota Efegê “O ROSA DE OURO TERIA APENAS SUGERIDO A CHIQUINHA O FAMOSO “ABRE ALAS”, publicado em “O Jornal” do dia 07/01/68, p.4.
3. Idem, p. 68.
4. Idem, p. 71

 

Letra com cifras

Voltar